O dia de voltar chegou. Confesso, isso era algo que eu temia. Sofria de pensar em voltar para a casa dos meus pais. Não pela convivência, óbvio. Até porque, quem não curte a comidinha da mama, todos os dias, na mesa? Eu, pelo menos, amo loucamente.
A real é que a rotina em um ponto da cidade bem distante do centro é sacrificante. Há tempos eu não sabia o que era marcar um programa com antecedência. O negócio era, ligou, combinou, estou indo. Por aqui é: "Vamos ao cinema na segunda-feira que vem, às 20hrs?" É mais ou menos por aí...
Ônibus e metrô cheios e muito, muito trânsito. Mais de duas horas para ir, outras mais de duas para voltar. Estar em São Paulo pode ser uma opção, até. Estou no meio da linha cruzada dos trens, sem saber ao certo qual caminho seguir. Para alugar um bom apê, falta dinheiro (mensal) no bolso. Mas sabe quando não há o que fazer?
O sonho do apezinho de paredes coloridas e quadros de cachorros foi para dentro da gaveta. Está na hora de projetar um caminho ainda mais denso: aquele da maturidade. Esse é o momento de descobrir como agir quando se tem quase trinta anos nas costas e tem um treco chamado futuro para decidir...

